
Em 2021, mais de 866 milhões de pessoas adoeceram em decorrência do consumo de alimentos contaminados e aproximadamente 1,52 milhão morreram por causas relacionadas às doenças transmitidas por alimentos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) monitora atualmente 42 perigos alimentares em 194 países, incluindo microrganismos como Salmonella spp., Escherichia coli, Listeria monocytogenes, Norovírus e Campylobacter, além de contaminantes químicos como arsênio, chumbo, cádmio e mercúrio.
Esses agentes estão associados a pelo menos 200 doenças diferentes e seus impactos vão muito além dos sintomas gastrointestinais. Eles afetam a saúde, os meios de subsistência, a educação e economias inteiras. Foi justamente para chamar atenção para essa realidade que a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) instituíram o Dia Mundial da Segurança dos Alimentos, celebrado anualmente em 7 de junho. Em 2026, a campanha global traz como tema:
“Do fardo às soluções – alimento seguro em todos os lugares“
A mensagem é clara: as Doenças de Transmissão Hídrica e Alimentar (DTHA) continuam representando um importante desafio para a saúde pública, para as famílias, para os sistemas de saúde, para a economia e para as empresas. Entretanto, esse cenário pode ser transformado quando utilizamos dados, ciência, gestão de riscos e ações direcionadas para a prevenção. Mais do que reconhecer os problemas existentes, a campanha deste ano convida governos, empresas, profissionais da saúde e consumidores a transformar conhecimento em ação.
IMPACTO DAS DTHA NO BRASIL ENTRE 2014 E 2023

Dados do Ministério da Saúde demonstram que as DTHA continuam representando um importante desafio para a saúde pública brasileira.
O que os números revelam?
Os dados brasileiros mostram que a realidade nacional acompanha a preocupação mundial. Entre 2014 e 2023, o Brasil registrou:
Isso representa uma média de aproximadamente 763 surtos por ano. Os números reforçam que a segurança dos alimentos continua sendo um tema prioritário para a saúde pública e para toda a cadeia produtiva de alimentos. Mais do que números, cada surto representa pessoas afetadas, famílias impactadas, custos para o sistema de saúde e perdas econômicas para organizações e comunidades.
PANORAMA DAS DTHA NO BRASIL EM 2023

Em apenas um ano, o Brasil registrou mais de mil surtos de DTHA, demonstrando que nenhuma região do país está imune aos riscos associados aos alimentos inseguros.
A realidade brasileira exige atenção contínua. Somente em 2023, foram registrados:
O que representa um aumento de aproximadamente 43% no número de surtos em comparação com 2022. Os dados demonstram que nenhuma região do país está imune aos riscos relacionados aos alimentos inseguros.
Outro aspecto importante é que os números reais podem ser ainda maiores. Muitos surtos são encerrados sem identificação laboratorial do agente causador, o que evidencia desafios importantes para os sistemas de vigilância epidemiológica. Entre os principais agentes associados aos surtos identificados no Brasil destacam-se:
Embora possuam características distintas, esses microrganismos apresentam algo em comum: frequentemente estão associados a falhas de higiene, manipulação inadequada, contaminação cruzada e controles insuficientes durante a produção, armazenamento ou preparo dos alimentos. Dados transformam problemas em prioridades. O tema da campanha de 2026 coloca os dados no centro das discussões sobre segurança dos alimentos.
Conhecer onde estão os maiores riscos, quais populações são mais afetadas e quais perigos causam maior impacto permite transformar problemas em prioridades de ação. Não existe uma única solução capaz de resolver todos os desafios relacionados às DTHA. Cada país, cada região, cada cadeia produtiva e cada empresa possui riscos específicos que precisam ser compreendidos para que recursos e esforços sejam direcionados de forma eficaz. Por isso, dados epidemiológicos, monitoramentos ambientais, resultados laboratoriais, indicadores de desempenho e informações geradas pelas próprias organizações são ferramentas fundamentais para apoiar decisões mais assertivas.
Quando utilizados de forma adequada, esses dados permitem:
Não existe solução sem prevenção. A boa notícia é que a maior parte das DTHA pode ser evitada. Ao longo das últimas décadas, a ciência produziu conhecimento suficiente para identificar perigos, compreender suas causas e estabelecer medidas eficazes de controle. Práticas amplamente consolidadas continuam sendo a base para a prevenção:
O desafio atual não está na falta de conhecimento técnico, mas sim na capacidade de transformar esse conhecimento em ações consistentes dentro das organizações.
DO FARDO ÀS SOLUÇÕES

A proposta central da campanha mundial de 2026 é utilizar dados e evidências para transformar o impacto das DTHA em ações preventivas capazes de gerar alimentos seguros em todos os lugares.
O papel das empresas de alimentos
As empresas ocupam posição estratégica na construção de alimentos seguros. Mais do que atender legislações ou certificações, elas têm a responsabilidade de implementar sistemas capazes de identificar perigos, controlar riscos e prevenir falhas antes que elas alcancem o consumidor. Nesse contexto, algumas perguntas merecem reflexão:
Responder a essas perguntas é um passo importante para fortalecer a maturidade dos sistemas de gestão e reduzir a ocorrência de falhas. Segurança dos alimentos é uma responsabilidade compartilhada. A campanha de 2026 reforça que todos possuem um papel na construção de alimentos seguros. Governos devem fortalecer políticas públicas, vigilância e monitoramento. Profissionais da saúde contribuem por meio da detecção, investigação e acompanhamento das doenças. Empresas implementam controles e programas preventivos. Consumidores adotam práticas seguras de manipulação, armazenamento e preparo dos alimentos. Somente a atuação coordenada entre todos os elos da cadeia permite alcançar resultados duradouros.
O compromisso da S2G
Na S2G Soluções em Sistemas de Gestão, acreditamos que a segurança dos alimentos é construída pela integração entre ciência, gestão e comportamento humano. Há mais de 25 anos apoiamos empresas do setor de alimentos por meio de consultorias, auditorias, treinamentos, implementação de sistemas de gestão, assuntos regulatórios e projetos voltados ao fortalecimento da cultura de segurança dos alimentos. Nosso propósito é ajudar organizações a transformar requisitos em práticas efetivas, dados em decisões e riscos em oportunidades de melhoria.
Do fardo às soluções
O tema do Dia Mundial da Segurança dos Alimentos 2026 nos lembra que não basta conhecer os riscos. É preciso agir sobre eles. Cada dado analisado, cada risco avaliado, cada colaborador treinado e cada decisão baseada em evidências representa um passo na direção de alimentos mais seguros. Porque a segurança dos alimentos não é construída por acaso. Ela é construída por pessoas, guiadas pela ciência. E quando ciência e ação caminham juntas, o resultado é exatamente o que a campanha mundial propõe: alimento seguro em todos os lugares.
Fontes:
